Um dos temas centrais que os alunos elegeram para esta peça foi o fenómeno do bullying. Está ligado a outro tema que elegeram, e que é transversal a todas as idades do alunos na Classe de Expressão Dramática, que é a integração em grupos.
O Bullying é uma pressão silenciosa sobre uma vítima, um exercício de autoridade por via da agressão física e psicológica. A violência entre os mais novos em ambiente escolar, onde relações de poder se desenham por via da coação física, intencional, repetida e sempre direccionada para um só menor. Sobretudo nos rapazes, a estratégia passa por isolar socialmente a vítima, ostracizando-a, segregando-a. Outros perfis psico socias comparecem nas situações, que é por exemplo, os que não participando materialmente nos actos, assistem a eles, e não os denunciam. Há um pacto de silêncio subjacente, um medo generalizado de represálias.
Uma criança vítima de bullying irá ter traumas futuros, com implicações na alimentação, emprego, auto estima pessoal e social, nas relações humanas. Serão provavelmente pessoas que virão a ter medo de ter filhos, e um elevado risco de comportamentos tendentes ao suicídio.
Dois milhões de crianças na Europa são vítimas destas manifestações, onde existe uma preocupação das autoridades ligadas à segurança e à saúde. Em termos sociais e jurídicos existirá um embaraço à resolução de casos concretos, dado o cariz de inimputabilidade dos causadores.
Werner Katwijk estuda este fenómeno desde 1984. No seu país, dos 2,4 milhões de crianças holandesas, 385 mil serão vítimas de bullying, sendo que cerca de 75 mil têm um quotidiano infernal, tornando-se num custo para o reino dos Países Baixos na ordem dos 9000 Euro.
No nosso país, sobretudo associações ligadas à Igreja, como a Pro Dignitate, avançam com um numero de 40 mil crianças com a vida arruinada.
Bully em inglês significa valentão, fanfarrão, o fenómeno é relatado e reportado identificado com mais ou menos expressão em todas as culturas. O fenómeno para além do meio escolar existe no local de trabalho, na vizinhança, nos meios políticos e militares.
Neste nosso exercício de Expressão Dramática fica o registo desta preocupação dos nossos meninos. Não haverá como é evidente necessidade de fazer um trabalho de fundo com os pequenos actores para criar maior profundidade psicológica nos personagens (sobretudo nos agressores Tommy e a rapariga Liberdade). O texto está em jeito de paródia. Mas eles sabem onde estão a tocar.
Na composição dos personagens do Paco, Filipão, Jony, vítimas potenciais de bullying ouvimos um real e sincero lamento numa aula de Abril. Era a ficcção a desafiar a realidade.
Não era preciso avançar mais.
Não vamos fazer composições realistas.
Está lá tudo para quem quiser ver.











